Jorge Palma

 

        Já aqui tinha falado do Sérgio Godinho e do José Mário Branco, só faltava mesmo falar do Jorge Palma.

        Também foi um cantor que acompanhei deste pequeno e os primeiros clássicos que me ficaram na memória foram: “Frágil” e “Deixa-me rir”. Anos mais tarde, fui conhecendo outros temas do cantor e recordo-me em 1994, o meu pai ter comprado o álbum “Té já”, onde tem o seu mais aclamado tema “Bairro do Amor”. Um álbum que eu conheço bem e que o ouvia muitas vezes no carro em viagens que fazia com a minha família.

        Na década de 90, Jorge Palma criou os Palma’s Gang, juntamente com Zé Pedro e Kalu dos Xutos, mais o Alex e o Flak dos Rádio Macau. A ideia foi do guitarrista dos Xutos & Pontapés em criar este projeto, que consiste nalguns temas de Jorge Palma em versão de rock. O único trabalho que editaram, foi um concerto que deram no Johnny Guitar em 1993. Já ouvi tantas vezes este CD, que até sei os temas e a ordem que são tocados. São 14 faixas no total, sendo inaugurado pelo clássico “Portugal, Portugal” e encerrado pelo “Homem invisível”. Ainda tem uma faixa escondida após a última faixa, “Take a walk on the wild side” do Lou Reed.

        Não tenho a certeza, mas acho que a primeira vez que vi Jorge Palma ao vivo, foi na véspera do feriado do 25 de abril em 1999 (25 anos do 25 de abril) em Aljustrel. Foi um grande concerto que o cantor deu, tendo como convidados o Flak e o Alex dos Radio Macau. Tocaram muitos temas que conhecia, inclusive, alguns que fizeram parte do projeto Palma’s Gang. Que fez com que eu tivesse gostado, ainda mais do espetáculo. No entanto, o concerto ficou marcado logo no início, quando o cantor terminou de tocar o segundo tema, em que alguém teve a simpatia de lhe ter oferecido uma cerveja e ele quando viu a mesma em cima do piano, disse:

        - Tinha-vos pedido para que me trouxessem um whisky, trouxeram-me uma cerveja! Ide mas é todos pró c ….

        Este termo obsceno do cantor, não caiu bem a muita gente, principalmente ao presidente. Logo que, teve uma penalização no pagamento por parte da câmara de Aljustrel, pela boca que mandou.

        Concertos dele, lembro-me de ter visto um no MEO arena no início do milénio, com músicos novos, que eu nunca tinha visto e os dois últimos que vi, foram em Beja. No qual o primeiro foi só apenas o cantor em palco e o segundo foi juntamente com o filho Vicente.

        Tive pena de não ter chegado a ver Palma’s Gang ao vivo. Ainda chegaram a atuar recentemente, já sem o Zé Pedro. Agora, acabaram de vez.

        Na primeira década do milénio, Jorge Palma lançou 4 discos, que gostei imenso, sendo o primeiro um remake de clássicos bastante conhecidos do cantor Estamos a falar da compilação “Dá-me lume”, em que uma boa parte dos temas, é só o músico a cantar e a tocar piano. Temas como “Bairro do amor”, “Estrela do mar”, “A gente vai continuar”, “A canção de Lisboa”, entre outros, são um exemplo.

        Em 2001, doze anos depois, voltou a editar um álbum de originais com o álbum homónimo, mais conhecido pelo Proibido de fumar. Na capa deste disco, está o cantor a acender um cigarro. Alguns dos temas do álbum, foram gravados com os músicos do projeto Palma’s Gang, como é o exemplo “Dormia tão sossegada”. Três anos depois, lançou o “Norte”, tendo sido gravado no Norte o álbum e em 2007, lançou o álbum que mais êxito teve (Voo noturno), ao fim de quase quarenta anos de carreira, que lhe valeram duas platinas. Belos álbuns (e remake) estes, que eu aconselho ouvir. Depois disso, não houve assim grandes temas que eu tivesse apreciado do cantor. Aliás, o cantor lançou um DVD da tournée desse álbum, onde só toca músicas dos últimos três álbuns e desse remake. Vale a pena ver.

        Na altura do covid, o cantor também atuou no castelo de S. Jorge, juntamente com uma pequena orquestra, onde teve convidados de luxo, como o Presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa. Este concerto está no Youtube.

        Lembro-me do meu pai ter escrito uma vez no Facebook: “Concertos do Jorge Palma, venham mais”.

        Um grande cantor, tal como José Mário Branco e Fausto, vão ficar na memória de todos os portugueses.

        “Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, enquanto houver ventos e mares”

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