Palavrões na série Rabo de Peixe
Falando em Rabo de Peixe, zona municipal da ilha de S. Miguel nos Açores, lembramo-nos da série portuguesa que está a ter um enorme sucesso na Netflix, que conta já com duas temporadas e já foi anunciado, que vai haver uma terceira temporada.
Agora, uma
polémica que tem dado muito que falar, é o seu argumento. Rara é a frase que
não inclua um palavrão. Qual a necessidade disso? É verdade que, a maioria das séries ou dos
filmes que vemos, seja português ou estrangeiro, têm palavrões. Um argumento
que tenha um ou mais palavrões incluídos, há que saber expressar e ter sentido
de humor para dizê-lo. De todas as séries portuguesas que já vi (que já foram
imensas), nunca vi uma tão calã.
Dois filmes,
que foram nomeados para os óscares de Hollywood, “Pulp fiction” e “Cidade de
Deus”, tendo o primeiro ganho o óscar de melhor argumento em 1994, são dois
exemplos. Palavrões, é algo que não falta nos seus guiões. Contudo, vê-se que
os atores sabem expressar bem os argumentos que lhes são dados e justifica-se,
quando usam o seu calão. No Cidade de Deus, há aquele termo que ficou na
memória de todos, “Dadinho é o caralho, o meu nome agora é Zé piqueno, porra!”.
O ator soube expressar bem o seu termo, que qualquer espectador que tenha visto
o filme, lembra-se dele. O filme teve enorme sucesso, que as pessoas quando
falavam dele, diziam essa famosa expressão.
No Pulp
Fiction, a maioria das personagens dizem palavrões. A que mais marcou o filme,
foi sem dúvida Jules, interpretada por Samuel L. Jackson. São inúmeros os
palavrões que o ator diz, desde “Say what again motherfucker”, “This
clothes is yours, motherfucker”. Nota-se que o ator está dentro no papel
que está a interpretar e di-lo de uma forma, bastante expressiva. A sua
história e interpretação é da melhores que já se viu em Hollywood, que o
espectador não se apercebe dos palavrões que são ditos. Há que haver sentido de
humor para dizê-los. Não é o que se vê em Rabo de Peixe. Não se justifica a
quantidade de palavrões que é expressada na série. A meu ver, noventa por cento
dos palavrões que ouvimos, são escusados. Qual a necessidade de escrever tanto
palavrão numa série de sucesso? É a dizer palavrões que a série ganha
audiências e é essa a razão pelo qual estão a ter tanto sucesso? Acham que isto
é uma boa influência para os mais jovens?
Também na
série, ouve-se algumas gírias açorianas, que muitos portugueses não conhecem.
Por exemplo, "bica" quer dizer pénis. Tal como no Brasil, veado quer
dizer gay. Depois há outras palavras, que se utiliza muito nos Açores, como
"murcho", "poderios", “aboiar” e “consumição”.
Contudo, há quem tenha gostado do argumento da série. Dizem que reforça a sua história e região da ilha. Outros acham que o excesso de asneiras foi exagerado, para o que é a realidade açoriana. Considerarem-no muito forçado e dizem que é irreal.
Aguardemos a terceira temporada, esperamos que o argumentista que tem vindo a ser alvo de grandes críticas, seja mais pacífico na sua escrita.
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