Jardim 25 de Abril de Aljustrel


   Aljustrel, vila alentejana onde cresci e fui criado. Quando me lembro da minha terra, a maior parte das vezes lembro-me também do jardim da vila. Jardim esse em que passei bons momentos da minha vida, sobretudo na minha infância e adolescência.

    Acontece que, a arquitectura do jardim, já não é igual ao que era há vinte anos atrás. Sempre que me lembro, é sempre da arquitectura antiga. Tenho muitas fotografias lá tiradas, principalmente quando era miúdo. Os meus pais gostavam de ir lá passear comigo e tenho muitas boas recordações. Ainda há pouco tempo, uma amiga minha publicou uma foto no facebook, em que os protagonistas são o seu irmão, a minha mãe e eu quando tinha cerca de dois meses de idade. Esta é uma, das muitas que tenho guardadas daquele lindo local. Ainda hoje tenho ideia de como eram os caminhos, as suas larguras, distâncias, onde haviam escadarias, lagos, árvores, palmeiras, bancos, mesas, e onde estavam localizadas. Quando entrávamos pela porta principal, à nossa direita tínhamos o parque de diversão para as crianças mais pequenas, e no lado esquerdo o parque para as crianças mais crescidas. Lá existe também um lar de terceira idade, um infantário e um café que já teve várias gerências.

     Em frente ao jardim, existe uma escola primária, onde eu frequentei apenas a quarta classe. Antes de começar as aulas da parte da tarde, eu e os meus colegas íamos sempre até lá, para nos divertirmos, até as aulas começarem. Brincávamos à apanhada, andávamos nos baloiços, nos escorregas e fazíamos coisas malucas. Belos tempos de que todos os aljustrelenses têm saudades e que jamais serão esquecidas. Nessa época, não havia telemóveis, internet entre outras novas tecnologias e faziam com que as pessoas saíssem mais de casa e este jardim era dos locais mais escolhidos para as pessoas conviverem. Para além do café, também chegou a haver uma pequena papelaria em que o dono vendia postais da vila, rebuçados, chupa-chupas, gelados, etc.

     Há duas semanas fui a Aljustrel com o meu pai, quando chegámos à vila, fomos almoçar ao “Bom prato”. Estavam lá cerca de vinte pessoas e não conhecia ninguém. As pessoas que lá estavam, de certeza que já ouviram falar de mim e naquele preciso momento, não lhes passava pela cabeça que eu sou de lá. 

     Quando saí, passei ao lado do jardim, e o local está completamente diferente. Ainda não lá fui mas, não terei problemas em lá voltar. Até estou curioso em saber como aquilo está. Já me disseram que os convívios não são os mesmos que nessa altura. Hoje as pessoas que vão lá ao café, perdem imenso tempo a discar no telemóvel e pouco convivem directamente. Toda a gente preferia os convívios antigos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Bandas que cantam em inglês

Novela “Anjo Selvagem”

Palavrões na série Rabo de Peixe