Um ano sem José Mário Branco
Faz hoje um ano que o nosso compositor
José Mário Branco nos deixou e que o seu trabalho ficou na memória de todos
nós. As suas músicas também foram muito ouvidas no 25 de Abril na altura quando
fundou o Grupo de Acção Cultural (Vozes na Luta!). O cantor esteve exilado em
França desde 1963, tendo regressado a Portugal em 1974, depois da libertação
dos presos políticos.
Não segui o cantor desde pequeno como
segui Sérgio Godinho e Jorge Palma. Qualquer português (mesmo não sendo seu
fã), conhece os seus dois grandes êxitos musicais, “Eu vim de longe”
e “Qual é a tua ó meu”, mas nem toda a gente conhece a sua obra mais
emblemática. O “FMI”. Também se deve muito ao facto do cantor não ter permitido
que a música tivesse passado nas rádios e televisões portuguesas, por vários
motivos e talvez devido aos imensos palavrões que a canção tem. Mas por curioso
que seja, foi através deste clássico de vinte e cinco minutos que me tornei fã
do cantor.
Numa noite de Outubro de 2009, fui com
um amigo ao Barreiro ver a banda dum amigo dele, e na preparação para o
concerto, passaram o FMI do José Mário Branco e foi aí que fiquei a conhecer a
música. Fartei-me de rir enquanto ouvia a letra. Segundo disse o cantor, a
letra foi escrita numa noite de Fevereiro de 1979. O tema não chegou a ser
gravado em estúdio. Apenas há aquela gravação numa actuação do cantor no
coliseu dos recreios em 1982. A actuação foi tão perfeita que já não valia a
pena gravar o tema em estúdio. A reacção do público, foi fundamental para o sucesso
do FMI.
Após este meu primeiro contacto
com o tema, quase todos os dias durante um mês ouvi a música no youtube e
depois comprei o “Ser Solidário”, que é um Best of do cantor em duplo
CD, e claro como não podia faltar, tem a FMI incluída. Mas por mais incrível
que pareça, já tinha visto outros Best of do cantor, e não tinham o FMI.
Como é possível? Isto é o mesmo que comprarmos um Best of dos ABBA e não ter a
“Thank you for the music”.
José Mário Branco fez algumas
participações especiais com cantores e bandas conhecidas, como no “Irmão do
meio” de Sérgio Godinho, onde cantou “Que força é essa”, e também com os
Peste & Sida onde gravou com a banda um tema do Zeca Afonso, “Década de
Salomé”, entre outros.
A sua última actuação, foi em 2009 no
projecto “Os três cantos”, juntamente com Sérgio Godinho e Fausto, entre outros
músicos convidados. Desde aí, nunca mais voltou pisar os palcos portugueses,
por opção pessoal e política.
“FMI não há lenha que detenha o FMI
FMI não há ronha que envergonhe o FMI”
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