Mundo do Trabalho – Parte II
Hoje em dia, por motivos vários, quando nos licenciamos não conseguimos encontrar trabalho na nossa área de formação. Ou porque ainda não temos nome, não temos familiares com um bom posto numa boa empresa, ou porque não correspondemos às espectativas de quem nos orientou.
Há empresas que quando recrutam pessoas para ocuparem os lugares que têm disponíveis, se aproveitam das candidaturas dos candidatos para lhes pedirem press-realeses, planos de marketing, ou apenas lhes entregam documentos com o intuito de lhes arranjarem clientes. Estes recrutas, ainda não fazem parte da empresa, mas já lhes estão a dar trabalho, sem fazerem parte da sua equipa. Dos candidatos que não são seleccionados, a maioria nunca chega a fazer parte da empresa. Mas muitos fizeram trabalhos para eles, sem serem pagos. De todos esses trabalhos pré-feitos, a empresa escolhe um ou outro, mas aproveita os rascunhos dos outros candidatos para futuras oportunidades.
As
entrevistas de trabalho, servem para a empresa conhecer melhor o candidato. Na verdade,
algumas aproveitam-se dos candidatos para lhes venderem os seus
produtos/serviços para que o candidato possa fazer parte da equipa deles. Por
exemplo, nas empresas de casting que recrutam pessoas para fazerem de figurante
em filmes, anúncios, etc, todos os candidatos têm de tirar fotografias pela
empresa, com vários tipos de roupa. E cada candidato tem de pagar pelas
fotografias, e não é pouco. Depois disso, eles serão chamados para fazerem de
figurantes?!
Há candidatos que fazem por merecerem onde estão, mas outros não, apesar de lhes sair a sorte grande. Trabalharam durante toda a vida. Umas trabalham porque se deixam de trabalhar não têm como viver, e outras fazem-no pela sua paixão pelo trabalho. Há CEOs que gostam de gerir a sua própria empresa, e outros que preferem contratar substitutos, para estarem no seu lugar. Os que preferem gerir a sua empresa, posteriormente vêm os filhos a continuarem no seu lugar. Mas nem toda a gente quando começa a trabalhar, principalmente para os que tiram cursos superiores, têm a sorte de terem familiares a gerirem ou serem donos de grandes empresas, e que quando acabam de estudar, têm logo emprego garantido.
Existem empresas que têm muito má gestão, são geridas por gente que não têm competência para o lugar que ocupam e ainda ganham rios de dinheiro. Mas o que salva estas empresas não é a sua administração, mas sim a área comercial ou o departamento que presta os seus serviços aos clientes. Trabalhadores que têm um cargo importante numa grande empresa, não sabem o que andam lá a fazer, ou não sabem contactar os seus clientes quando não estão satisfeitos, mostram a sua impreparação, têm fraca capacidade de argumentação, e depois dizem que são regras da casa. Estas regras são impostas pelos próprios administradores, e eles podem muito bem escolher as melhores regras que vão de encontro ao seu mercado e que mais satisfaçam os seus consumidores. Este tipo de trabalhadores, dão mais prioridade ao dinheiro do que às necessidades dos seus clientes. O pagamento faz-se consoante as necessidades dos seus clientes. São várias as empresas que pedem para que os clientes façam o pagamento atempadamente, para que tenham o dinheiro já garantido, independentemente de o cliente vir a consumir os seus serviços/produtos ou não. Isto é, se ele desistir, automaticamente perde o dinheiro. Por exemplo, as empresas que pedem cheques pré-datados, dão mais prioridade ao valor monetário do que a preocupação de satisfação, dos seus clientes.
Jorge Coelho:
ResponderEliminarEmbora reconheça que estas práticas existam discordo um pouco, pois são precisamente as empresas que não se podem dar ao luxo de prestar mau serviço...
...por cá o cenário piora pois o maior empregador do país é o estado e através das empresas sustenta um número enorme de trabalhadores com contratos garantidos e sim, os casos que referes, a meu ver por falta de real concorrência em capitalismo saudável em vez deste capitalismo entrançado ao estado.
Também ajuda a explicar porque as nossas empresas exportam pouco pois nos campeonatos maiores tens de oferecer algo de qualidade para poder vingar.
Abraço João!