Mundo do Trabalho – Parte I


    Há trabalhadores que têm sucesso a nível profissional, porque o seu bom desempenho é apreciado pelas pessoas, e que os próprios clientes recomendam a indivíduos que não os conhecem. Quando o seu trabalho é valorizado e elogiado pela sociedade, o seu reconhecimento expande-se, e é convidado para dar umas entrevistas na rádio, televisão, revistas, jornais, etc.

    Como tem vindo a ser hábito, de há uns anos para cá, as empresas têm vindo a contratar estagiários, elegíveis para fazerem estágios profissionais através do IEFP. Porque é que as empresas contratam jovens profissionais e não trabalhadores já com larga experiência?! O dinheiro fala por si, para desespero dos desempregados com mais de 30 anos de idade. As empresas optam por estagiários para lhes pagarem apenas 30% do ordenado, ficando os restantes 70% a cargo do estado. Para alegria dalguns, vem o desespero de outros. Porque até os próprios estagiários, sabem que no fim do estágio não vão continuar, porque entram novos estagiários  para ocuparem o seu posto.

     Há 10 anos atrás, as empresas podiam contratar os estagiários que quisessem. Mas o estado já alterou essa regra, e agora as empresas só têm direito a um determinado número de estagiários, há um limite. Pior são aquelas que contratam pessoas para estágios não remunerados, pois nem as despesas são capazes de pagar, com a espectativa de no fim do estágio os contratarem.  Acontece que na maioria dos casos, chegam ao fim do estágio e não lhes é feito nenhum contrato. Gostam de contractar pessoas a trabalharem de borla!

    Certos orientadores de estágio, não têm formação ou experiência necessária para orientar um estagiário. E quando não têm, dão documentos aos estagiários, onde contém a matéria do trabalho com o material que têm de trabalhar ao longo do estágio, e pedem-lhes para estudarem e fazer exercícios em casa. Para os patrões não estarem a perder tempo a ensinar o que o estagiário deve fazer, dão-lhes material didático para estudarem em casa, e têm de passar uma boa parte do seu tempo livre, a estudar para o estágio.

       Muitos dos estagiários são contratados para fazerem trabalhos que pouco lhes competem, ou não têm nada a ver com a sua formação. Põem os estagiários a trabalhar no departamento comercial, como pô-los a fazerem telefonemas, ou mandá-los ir vender os seus produtos para as barracas. Por vezes, não contratam funcionárias de limpeza e põem os estagiários a fazerem as limpezas do edifício. Cada dia da semana, cabe essa tarefa a um. Pior que tudo, há estagiários que fazem um estágio de três meses, e não chegam a desempenhar a função do curso que tiraram, e por vezes chegam a estar semanas sem terem trabalho, estando na empresa a olhar para o boneco. Outros, eles próprios arranjam trabalho para terem o tempo ocupado. Porque os orientadores de estágios, não lhes dão a devida atenção.

      Os desempregados que estão acima dos 31 anos de idade, só podem fazer estágios profissionais se estiverem inscritos no Centro de Emprego há 12 meses,  como desempregados, e têm que tirar um curso de grau académico superior. Tipo uma pós-graduação, mestrado, doutoramento, etc. Isto é, quem estiver desempregado há menos de um ano, e durante esse tempo não tirar uma Pós-graduação não tem direito a fazer esse estágio. Caso contrário, nada feito. 

    Destes estagiários, cerca de 16% continuam nas empresas, após terem terminado o estágio. Destes dezasseis por cento, que passam a funcionários da empresa, apenas um terço passa para os quadros da empresa.


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